Escrevi sobre música durante anos e sempre me interessei em como a cultura funciona como um experimento social que traduz como as pessoas se sentem e como, através da cultura, elas se juntam e tentam fazer com que as coisas funcionem não necessariamente de uma forma já estabelecida – e como isso pode dar vazão a boas ideias. Assim, o movimento punk fez isso com a ideia do consumidor que também se vê como um produtor. Não que isso não existisse antes do punk, mas foi o punk quem primeiro levou esse conceito para o holofote, seguido do hip hop e, mais tarde, pela web – e agora isso é algo que todos conseguem compreender. O mundo ultrapassou o conceito de transmissão tradicional (broadcasting) e abraçou todas as formas de comunicação e compartilhamento de informação e conteúdo – e eu quis observar o lado cultural dessa equação.
O jornalista Matt Mason, que escreveu o livro The Pirate’s Dilemma (Free Press, importado), em entrevista ao caderno Link, fala sobre direito autoral. Ele completa:
A pirataria vai com certeza se tornar legal. É assim que essas coisas funcionam, o underground sugere algo novo, o mainstream vem e legitima. Sempre foi assim.
Confira abaixo ações que tratam a internet como aliada. Nesse outra lista, quem opta pelo caminho oposto.
A Internet como aliada
1. Em 2007, o grupo inglês Radiohead permitiu aos internautas escolher o quanto queriam pagar pelo download se seu novo disco In Rainbows. Como aposta na rede, ainda permitiu que internautas fizessem vídeos e remixes de suas músicas.
2. Cansados de lutar contra vídeos postos por fãs no YouTube, o grupo Monty Phyton criou um canal graça no site. Resultado? As vendas de seus DVDs cresceram 23.000% (sem exagero).
3. Criadas em 2001, as licenças Creative Commons possibilitam aos artistas terem mais controle da liberdade das suas obras, permitindo, por exemplo, que qualquer um baixe se não for para fins comerciais.
4. Ao invés de lutar contra o uso indvido de suas marcas, Doritos,
Coca-Cola e Mentos colocaram na mão dos internautas produção de publicidade. O material espalhou-se de forma viral pelo YouTube.
5. Paulo Coelho descobriu que a pirataria é uma forma de divulgação. Ele, inclusive, montou um blog, o http://www.paulocoelhoblog.com, no qual disponibiliza versões ‘piratas’ de seus livros para baixar.
6. Pirataria? O grupo Teatro Mágico quer mais que as pessoas baixem mesmo. Famosa no circuito alternativo, a banda não tem gravadora e até vende CDs. Entretanto, nos shows, instiga seu público a baixar no site, ‘de graça’.
7. No Pará, tanto a cena tecnobrega, com DJs que fazem festas gigantescas, quanto a banda Calypso não se preocupam com pirataria e distribuem seus CDs para que camelôs copiem e vendam. O dinheiro vem das apresentações ao vivo.
8. O grupo Nine Inch Nails liberou músicas para fãs remixarem, criou um ‘jogo de realidade alternativa’, aderiu ao sistema de pague o quanto (e se) quiser para baixar o CD e foi recordista em vendas na Amazon